terça-feira, 22 de junho de 2010
UM GUIA SEGURO PARA O CÉU
(Continuação)
16. Consagra um dia para te humilhares, pelo jejum e pela oração, e analisares intimamente, tua miserável vida de pecado.
Lê uma exposição completa dos Mandamentos. Nota as obrigações omitidas e os pecados cometidos contra cada mandamento, e assim terás uma lista dos teus pecados para apresentares diante do Senhor, com dor e tristeza. E, se o teu coração concordar com as condições, não esqueças de ratificar aquela aliança de que atrás se falou, e o Senhor estará pronto a conceder-te misericórdia.
Acabo de falar daquilo que necessitas para te salvares. Queres agora obedecer à voz do Senhor? Queres levantar-te e meter mãos à obra? Que resposta darás ou que desculpa vais apresentar, se no fim de contas te perderes, mercê da obstinação na vida de pecado, quando não te era desconhecido o verdadeiro caminho da vida? Se não te prejudicar a tua preguiça, não duvido que possas vir a ter êxito, mas nunca, se desprezares o uso dos meios que acabam de ser expostos. Desperta, ó indolente, e aplica-te com afinco à obra da tua conversão. Pronto a agir, e o Senhor será contigo.
- Joseph Allleine (continua)
domingo, 11 de abril de 2010
ANDANDO NA LUZ - 1 João 1:7
"O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra. Não deixará vacilar o teu pé..." (Salmo 121:2 e 3).
O Apóstolo diz -: "Associai com a vossa fé a virtude". (2 Pedro 1:5). Você teve que demonstrar fé para com "Suas preciosas e mui grandes promessas" a fim de conseguir essa bênção, porém terá que acrescentar algo mais à sua fé a fim de guardá-la. Essa palavra "virtude" provém da antiga palavra latina que significa valentia, sendo que aqui provavelmente este é o seu sentido. É mister que você tenha coragem para guardar essa bênção.
O Diabo rugirá tal como um leão, por vezes, diante de você; o mundo talvez o encare muito mal, agrupe-se contra você e mesmo o mate. Seus amigos apiedar-se-ão, ou o amaldiçoarão e hão de predizer todos os tipos de calamidades que com toda a certeza cairão sobre você, sendo que por três vezes até sua própria carne clamará contra você. Então você precisará ter coragem. Disseram-me que eu enlouqueceria e quase parecia mesmo que isso estava para acontecer comigo, de tanto desejo que tinha de conhecer tudo quanto a mente Divina planeara para mim. Disseram-me também que acabaria em um pantanal de fanatismo; disseram-me de igual modo que acabaria em um asilo qualquer; disseram-me que arruinaria completamente a minha saúde e que me tornaria um inválido por toda a vida e sem utilidade alguma, um tormento para mim mesmo e um fardo para meus amigos. Depois que obtive a bênção, o próprio ministro cujo livro sobre santidade havia movido minha alma até às profundezas, instou-me a que falasse muito pouco sobre isso, pois que essa questão causaram sempre muita divisão e dificuldades (depois disso soube que ele mesmo havia perdido a bênção). O Diabo seguiu-me dia a dia e até de noite, com mil tentações espirituais das quais nunca sonhara. Por fim levou um homem rude a quase exterminar o meu cérebro, sendo que por meses a fio fiquei frustrado pela fraqueza física, até que um cartão postal a mim enviado roubou-me uma noite toda de descanso. Constatei, então, que precisava de coragem para guardar essa "pérola de grande preço", mas, aleluia para sempre! - o "Leão da tribo de Judá", que é meu Senhor e Salvador, é tão cheio de coragem o quanto é de forças, amor, compaixão. Disse Ele no Livro de instruções e animo -: Se forte e corajoso. Sim, da maior ênfase ainda ao que deseja e diz -: Não te mandei eu_ Sê forte e corajoso. É uma ordem positiva, a qual temos obrigação de obedecer. Constantemente Ele diz a mesma coisa e setenta e duas vezes declara -: Não temas, acrescentando, como uma razão suficiente para não temermos -: Estou contigo. Gloria a Deus! Se Ele esta comigo, por que temeria eu E porque você ter medo, meu camarada_
Samuel Logan Brengle *continua
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
VIVER EM SANTIDADE
Quero dizer que há uma faceta da santidade muito necessária, mas que é apenas a metade do caminho para um viver santo, evangélico, bíblico. Nós somos, sem nenhuma sombra de dúvida, convidados, exortados, instados, a viver em santidade e justiça todos os dias da nossa vida e, assim, servir ao Senhor. Somos conclamados a operar a nossa salvação com tremor e temor. O apóstolo Paulo nos desafia com a paixão que o Espírito Santo lhe pôs no coração a apresentar os nossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus que é o nosso culto racional e a não nos conformarmos com este mundo, mas a nos transformarmos pela renovação do nosso entendimento. Mas nunca somos entregues à nossa sorte para procurarmos viver, às expensas de nós mesmos, a exigente vida de santidade. Quem tentou e não caiu em completa frustração? Quem se entregou inteiramente a Deus, em sacrifício vivo, no altar da consagração e esperou pacientemente ali, até que caísse fogo santo sobre ele, vindo do céu e, uma vez consumido o sacrifício no altar, não se levantou do altar morto para o mundo, morto para a carne, morto para o diabo, para viver em novidade de vida, na virtude da vida ressurecta do Senhor Jesus, à semelhança do Senhor que vivia não para Si mesmo, mas para o Pai, não para fazer a Sua vontade, mas a do Pai?
A vida santa requer de ti, meu irmão, que entronizes a Cristo como Senhor no teu coração. É Ele que faz, ou melhor, que fez as despesas para que vivas uma vida de santidade. Sua obra na Cruz do Calvário garante para todos os que crerem, não só o perdão, como também a santificação. O preço que Ele pagou inclui não só o resgate das treevas, mas a instalção no reino da luz. A vida santa requer que separes de todo o uso profano, mundano, o teu ser total e o consagres inteiramente ao teu Deus. Tens que, com a tua própria boca, declarar ao diabo que já não és mais propriedade dele e de o demonstrar com a tua auto-entrega a Deus, no altar. O Senhor ensinou: "Buscai primeiro o reino de Deus e a Sua justiça..." Deitai fora os deuses estranhos, os ídolos de ouro, de prata, de barro, de pau, de metal, de carne e osso, quaisquer que sejam seus formatos, símbolos do domínio demoníaco, e purificai-vos. Isto qualquer um pode fazer, se o quizer fazer. Deus te requererá sempre o fazeres aquilo que está ao teu alcance. Mas aquilo que não podes fazer, tens de deixar com Ele o fazê-lo. E o que não podes fazer é, a despeito de toda a azáfama em tentativa de ser obediente e tirar o "lixo" da casa do teu coração, do teu "templo", santificar a casa e torná-la apta para receber o Espírito de Santidade, que deseja dele fazer o Seu templo, a Sua morada. É Ele mesmo que vem com fogo purificador, incendeia todos os cantos e santifica a casa. Apossa-se de tudo o que és e consagraste, "espírito e alma e corpo", destrona o usurpador e este não terá mais domínio sobre a tua vontade, sobre as tuas emoções, sobre a tua mente, uma vez que o velho homem, no qual ele morava e sobre o qual exercia domínio quanto bastava para não servires a Deus em santidade e justiça, agora está morto. E, renascido para a vida e revestido do novo homem, vive na virtude de Cristo.
Meus irmão, separa-te de todo o pecado, de tudo o que em ti queira ao reino de Cristo se opor, entrega-te em consagração total (espírito, alma e corpo) ao Senhor, aguarda em oração no altar e o Espírito Santo virá inaugurar em mais uma criatura de Deus, a vida gloriosa de Cristo. Viverás à imitação de Cristo, porque fiel é Aquele que prometeu, o Qual o fará.
terça-feira, 20 de outubro de 2009
DESABAFO
Algumas pessoas, irreflectidamente ou "malpensadamente" afirmam à boca cheia que Deus não existe. Pretendem, com isto, dizer que sabem tudo quanto existe. Não levam em conta o testemunho daqueles que fazem a afirmação oposta. Desmentem, sem pudor, o que milhares e milhões já afirmaram, ao longo de milénios, outros tantos afirmam, neste presente momento e outros tantos ainda afirmarão, no futuro sem fim.
Tenho de confessar que, quando oiço tais proclamações da boca de seres humanos como eu, em essência, e maiores do que eu, em conhecimento e saber, sinto um desagradável nó do estômago à garganta. Não por medo de que Deus, de facto, não exista, mas, pela imagem que estas pessoas, em verdade, dão de si.
Salvo todo o devido respeito por muitas delas, que não é pequeno, nem pouco, a imagem é, defacto, pequena e confrangedora. Porque, se eu, mera criatura humana, me elevo, ostensivamente, acima de uma nação inteira (1 Pedro 2:9) e dos céus infinitos (Salmo 19:1), para desmentir aquilo que afirmam categoricamente, torno-me confrangedoramente digno de dó. Assim penso, na minha modesta compreensão. Porque, em pouco tempo, estarei fora de prazo, caducarei, e nas mãos de quem cairei?...
A Bíblia conta a história de um povo, disperso por tribos, que foi liberto da condição de escravo numa terra estranha, unido e tornado uma nação, organizada, dotada de leis modernas para o tempo, conduzida às fronteiras do território que lhe estava reservado para sua pátria. Quando mais precisavam da liderança do homem que tanto bem lhes tinha feito, esse, que se tinha agigantado aos olhos deles, simplesmente sumiu. Faltou-lhes. Morreu...
Mas Alguém, que era o principal responsável por todos esses benefícios, continuava vivo, são e no comando. Então, falou, transferindo a responsabilidade a outro, tão capaz de continuar a obra. Diz a Bíblia: "E sucedeu, depois da morte de Moisés, servo do Senhor, que o Senhor falou a Josué, filho de Num, servo de Moisés, dizendo: Moisés, meu servo, é morto. Levanta-te, pois, agora, passa este Jordão, tu e todo este povo, à terra que eu dou aos filhos de Israel." Por outras palavras, "Moisés é morto, mas «EU SOU», estou vivo, podeis contar comigo".
Os líderes das nações vêm e vão, por isso se multiplicam. Mas Deus continua o mesmo, ontem, hoje e eternamente. Escritores, políticos, diplomatas, militares, gurus, filósofos, benfeitores, malfeitores, todos cairão nas mãos de Deus. Podem fazer jornadas longas de oitenta, noventa, cem anos, fazer, escrever e dizer livremente, mas o seu fim será o mesmo, porque "não há criatura alguma encoberta diante dEle; antes, todas as coisas estão nuas e patentes, aos olhos dAquele com quem temos de tratar."
Pois bem, não haja Deus, para que alguns se safem! Mas se houver Deus, todavia, será triste a situação daqueles que cairem "nas mãos do Deus vivo", que "é um fogo consumidor."
Por outro lado, também poderão preparar-se para esse dia, mudando de orientação e aprendendo a esperar "inteiramente na graça que se vos ofereceu na revelação de Jesus Cristo"... Neste caso, a sua bem-aventurança será desmedida!
domingo, 23 de agosto de 2009
D. A MENSAGEM NO NOVO TESTAMENTO
O Novo Testamento dá amplo testemunho da possibilidade de uma vida santa neste mundo, pelo que uma interpretação adequada há de começar com a compreensão do que é a santificação ou das classes de santificação a que se refere. O presente é um tratado um pouco breve que visa apenas colocar em perspectiva as questões, em vez de lutar em profundidade com tão importante tema de estudo.
1. Santificação Imputável (ou “posicional”)
A santificação imputável refere-se tanto a pessoas como a objectos ou coisas. A última ilustra-se com o texto seguinte “… a oferta, ou o altar que santifica a oferta…” (Mateus 23:19). A santificação, neste sentido, indica que as ofertas colocadas sobre o altar sagrado já não pertencem àquele que as apresenta, mas a Deus. É santificação por associação, uma justiça “imputada”. Este tipo de santificação pode ser o resultado de um simples contacto físico ou da proximidade.
O mesmo conceito se aplica às pessoas. Neste sentido, no Antigo Testamento, Aarão e seus filhos foram “santificados” para a obra do sacerdócio. Na actualidade, quando um leigo recebe as ordens de presbítero ou ministro do evangelho, recebe uma santidade imputada que antes não possuía. Dedica-se a uma vocação sagrada. Separa-se dos demais e entrega-se ao serviço exclusivo e total do Senhor. Devido a esta separação do secular e sua total dedicação ao serviço de Deus, em certo sentido, torna-se um homem santo profissionalmente. Talvez no intrínseco não seja mais santo do que antes e o seu carácter não se altere. Não se lhe confere nenhuma diferença moral por uma justiça “imputada”. Talvez neste sentido de entrega total a certa tarefa Jesus Cristo disse: “E por eles me santifico a mim mesmo, para que também eles sejam santificados na verdade.” E pelo menos neste sentido, o Senhor pediu em oração que os Seus discípulos fossem santificados na verdade (João 17:17-19; 10:36).
2. Santificação Inicial
Aqueles que estão em desacordo com o ponto de vista wesleyano da vida de santidade e sua possibilidade diferem particularmente no que se relaciona com a inteira santificação. A maioria dos eruditos bíblicos concorda que a santificação é ensinada no Novo Testamento como um privilégio ao alcance de cada crente, mas nem todos atribuem o mesmo significado ao termo. Quando o Apóstolo Paulo escreveu às igrejas de Roma e de Corinto, referiu-se a todos como a “santificados em Cristo Jesus, chamados santos” (1 Coríntios 1:2; Romanos 1:7). Esta é a que pode ser chamada santificação inicial, em que se reconhece que a separação do mundo e a entrega a Deus são requisitos prévios da conversão ao cristianismo.
Ao escrever sobre a conversão, Wiley refere-se à santidade “inicial”:
A corrupão acompanha os actos pecaminosos, e o mesmo faz a
culpa, que é a consciência do nosso próprio pecado. Portanto, deve
haver uma limpeza inicial concomitante com a primeira obra da graça,
se esta culpa e a depravação adquirida hão de ser removidas do
pecador.
3. Santificação progressiva
De outro ponto de vista, diz-se que a santificação no Novo Testamento é progressiva. Esta posição harmoniza com a justiça “comunicada”, a qual começa na conversão e continua toda a vida do cristão. Todos os cristãos são santificados no sentido de que se convertem em “participantes da natureza divina” (2 Pedro 1:4). Sua natureza está se “renovando” pelo Espírito Santo; é “regenerado” ou “nasce de novo”. Este é o uso que os escritores e oradores da tradição reformada aplicam normalmente ao termo santificação. É o lado positivo da justificação; refere-se à obra do Espírito Santo que efectua no crente a renovação positiva de sua natureza na semelhança da natureza de Deus. A anterior é referida, por exemplo, em versículos como os seguintes: Actos 20:32; 26:18; 1 Coríntios 6:11; Efésios 5:26; e Hebreus 10:14; 13:12.
domingo, 2 de agosto de 2009
DO ANTIGO PACTO AO NOVO
O Espírito de Deus no Antigo Testamento não só inspirou os discursos sagrados, como no caso dos profetas, mas também aos dirigentes nacionais em épocas de crise. Descreve-se o Espírito de Deus como dador de vida à terra e ao seu povo (Isaías 44:3-4; Ezequiel 36:25-27). A promessa de melhores tempos regista-se em Joel, Ezequiel e em muitos outros livros. Neste caso, o distintivo do novo pacto, em contraste com o antigo, é a maior liberalidade com que Deus derrama Seu Espírito sobre o povo: homens e mulheres, servos e servas, escravos e livres (Joel 2:29). O novo pacto é mais democrático, inclui mais gente, acerca-se mais do objectivo da redenção bíblica, ou seja, Deus e o homem unidos na expiação. Até ao século VI A.C., século de crises transcendentais, ganhou proeminência a doutrina do Espírito de Deus.
Durante o período intertestamentário fez-se maior finca-pé acerca da transcendência de Deus e não tanto sobre a Sua imanência. Como resultado disso, realçou-se a revelação por meio de anjos e não tanto por meio do Espírito. De facto, cria-se que devido aos pecados do povo, a presença pessoal de Deus, a Shekina, havia sido levada do templo, da cidade e do povo (Ezequiel 10:4, 18; 11:23) ao “sétimo céu” onde permaneceria até aos dias do Messias.
A literatura da comunidade de Qumrán vizinha do Mar Morto constitui uma excepção interessante à negligência sobre a doutrina do Espírito. Particularmente nos seus hinos e no seu Manual de disciplina, o Espírito Santo é mencionado como purificador da mente e do coração. Não obstante, neste tipo de purificação não se faz distinção entre o ritual e o moral. O interessante, contudo, consiste em que a limpeza relaciona-se com o ministério do Espírito com tanta proeminência como no Antigo e no Novo Testamentos. Nos hinos da comunidade de Qumrán o finca-pé em o Espírito indica que os escritores eram, em certo sentido, místicos que acentuavam o contacto imediato entre Deus e o crente.
segunda-feira, 27 de julho de 2009
A Santidade Cristã
A convicção de que Deus é santo tem como seu corolário a persuasão de que o povo de Deus deve ser como Ele em santidade. Posto que a separação é um dos ingredientes principais da doutrina de santidade na Bíblia, Deus chama o homem à separação. De que se deviam separar os israelitas? De outras nações, particularmente daquelas que os poderiam arrastar para o mal. Deviam conservar-se livres do pecado. Deviam separar-se unicamente para Deus, ser um povo peculiar, uma nação santa (Deuteronómio 7:1-10). Contudo, não se deviam separar só pelo acto de se separarem. A separação era somente o caminho para um fim: ser justos, ser como Deus. A separação não implicava ser peculiar no sentido de excentricidade. Em vez disso significava que, a fim de serem fiéis a Deus, deviam ser distintos, diferentes. A santidade não se pode conceber sem a separação. Esta classe de separação era dupla: do comum ou imundo e separados para Deus, para o serviço exclusivo dEle. Assim, os israelitas foram designados como povo único: um reino de sacerdotes, uma nação santa (Êxodo 19:6; Deuteronómio 7:6; 1 Pedro 2:9).
3. Perfeição em Justiça
Que significa ser “perfeito”? O termo não se pode passar por alto facilmente, pois, tanto no Antigo como no Novo Testamentos, usa-se com muita frequência. É muito importante para comunicar esta verdade, reconhecer que o conceito bíblico de “perfeito” não é equivalente ao que lhe é atribuído popularmente, ou seja, completo, sem falta alguma. Mas tão pouco se há de rebaixar para incluir desvios da norma ou do ideal. Significa, em vez disso, uma perfeição relativa, como a que foi reconhecida a Noé, Abraão e Job.
Como analogia, temos de nos lembrar que certos indivíduos na história foram chamados de “O Grande”, como Alexandre, o Grande, Herodes, o Grande e Pedro, o Grande, da Rússia. Tal distinção de “grande” não só lhes é atribuída para os distinguir de outras pessoas com o mesmo nome, como também para indicar que foram maiores que outros. De modo semelhante, certas personagens do Antigo Testamento mereceram o título de “perfeitos” ou “justos”. Sua perfeição era relativa. Eram “perfeitos” em comparação com seus contemporâneos. Destacaram por sua piedade, integridade e justiça. Foram, em certo sentido, como Deus, em relação à bondade. Assim, são homenageados com tal distinção Enoque, Noé, Abraão, Moisés, David e Job.
Ser perfeito queria dizer especificamente ser sem mancha (Deuteronómio 18:13); não sem falta, mas sem mancha. Portanto, a maioria das versões novas da Bíblia evitam o uso do termo “perfeito” ao aplicá-lo a pessoas e, em lugar dele, usam “sem mácula” (p. ex. Génesis 17:1, Versão Popular). A palavra original que se usa é a mesma que se aplica aos animais que eram adequados para serem apresentados a Deus (Êxodo 12:5), “sem defeito”. Estes animais não deviam estar mutilados ou estropiados; deviam estar fisicamente perfeitos, completos, sãos. De igual modo, a pessoa perfeita, no sentido do termo do Antigo Testamento, devia ser inquebrantavelmente fiel a Deus, estar totalmente entregue a Ele. Devia distinguir-se por sua justiça.
Qualquer leigo pode distinguir bem entre um cristão nominal, casual e um discípulo consagrado e fiel. Como em certa ocasião o expressara um guia muçulmano: “Há muçulmanos e, também, verdadeiros muçulmanos.” O mesmo se pode aplicar aos cristãos. Halford Luccock disse em certa ocasião: “Quando um crente demonstra que na realidade é cristão, todo o mundo se admira.” Nenhum dos hebreus antigos foi perfeito no sentido de que não tivesse tido faltas. Muitos, porém, o foram no sentido da integridade e fidelidade: uma perfeição em amor, do coração. Entre os melhores exemplos de tais homens que foram tanto grandes como bons estão José, Samuel e Daniel, dos quais não se regista na Bíblia nenhum acto pecaminoso ou atitude de pecado.