Nos tempos do Antigo Testamento o Espírito de Deus descia apenas sobre certos indivíduos em épocas de crise nacional. Os homens cheios do Espírito eram quase sempre os profetas. Alguns reis foram ungidos pelo Espírito, mas o termo “Espírito Santo” ocorre só três vezes em todo o Antigo Testamento (Salmo 51:11; Isaías 63:10-11). O Espírito representa o “sopro” de Deus (Génesis 2:7; Ezequiel 37:5; João 3:8). Ele é a Pessoa da Divindade que está em relação mais estreita com o homem. Esta verdade reflecte-se em Génesis no relato da criação, onde não só se diz que o “Espírito de Deus se movia sobre as águas”, mas também que “formou o homem do pó da terra, e soprou em seu nariz o fôlego de vida”. O termo hebraico que se traduz pelas palavras “espírito”, “alento” e “vento” é o mesmo: ruach.
O Espírito de Deus no Antigo Testamento não só inspirou os discursos sagrados, como no caso dos profetas, mas também aos dirigentes nacionais em épocas de crise. Descreve-se o Espírito de Deus como dador de vida à terra e ao seu povo (Isaías 44:3-4; Ezequiel 36:25-27). A promessa de melhores tempos regista-se em Joel, Ezequiel e em muitos outros livros. Neste caso, o distintivo do novo pacto, em contraste com o antigo, é a maior liberalidade com que Deus derrama Seu Espírito sobre o povo: homens e mulheres, servos e servas, escravos e livres (Joel 2:29). O novo pacto é mais democrático, inclui mais gente, acerca-se mais do objectivo da redenção bíblica, ou seja, Deus e o homem unidos na expiação. Até ao século VI A.C., século de crises transcendentais, ganhou proeminência a doutrina do Espírito de Deus.
Durante o período intertestamentário fez-se maior finca-pé acerca da transcendência de Deus e não tanto sobre a Sua imanência. Como resultado disso, realçou-se a revelação por meio de anjos e não tanto por meio do Espírito. De facto, cria-se que devido aos pecados do povo, a presença pessoal de Deus, a Shekina, havia sido levada do templo, da cidade e do povo (Ezequiel 10:4, 18; 11:23) ao “sétimo céu” onde permaneceria até aos dias do Messias.
A literatura da comunidade de Qumrán vizinha do Mar Morto constitui uma excepção interessante à negligência sobre a doutrina do Espírito. Particularmente nos seus hinos e no seu Manual de disciplina, o Espírito Santo é mencionado como purificador da mente e do coração. Não obstante, neste tipo de purificação não se faz distinção entre o ritual e o moral. O interessante, contudo, consiste em que a limpeza relaciona-se com o ministério do Espírito com tanta proeminência como no Antigo e no Novo Testamentos. Nos hinos da comunidade de Qumrán o finca-pé em o Espírito indica que os escritores eram, em certo sentido, místicos que acentuavam o contacto imediato entre Deus e o crente.
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