terça-feira, 20 de outubro de 2009

DESABAFO

Algumas pessoas, irreflectidamente ou "malpensadamente" afirmam à boca cheia que Deus não existe. Pretendem, com isto, dizer que sabem tudo quanto existe. Não levam em conta o testemunho daqueles que fazem a afirmação oposta. Desmentem, sem pudor, o que milhares e milhões já afirmaram, ao longo de milénios, outros tantos afirmam, neste presente momento e outros tantos ainda afirmarão, no futuro sem fim.

Tenho de confessar que, quando oiço tais proclamações da boca de seres humanos como eu, em essência, e maiores do que eu, em conhecimento e saber, sinto um desagradável nó do estômago à garganta. Não por medo de que Deus, de facto, não exista, mas, pela imagem que estas pessoas, em verdade, dão de si.

Salvo todo o devido respeito por muitas delas, que não é pequeno, nem pouco, a imagem é, defacto, pequena e confrangedora. Porque, se eu, mera criatura humana, me elevo, ostensivamente, acima de uma nação inteira (1 Pedro 2:9) e dos céus infinitos (Salmo 19:1), para desmentir aquilo que afirmam categoricamente, torno-me confrangedoramente digno de dó. Assim penso, na minha modesta compreensão. Porque, em pouco tempo, estarei fora de prazo, caducarei, e nas mãos de quem cairei?...

A Bíblia conta a história de um povo, disperso por tribos, que foi liberto da condição de escravo numa terra estranha, unido e tornado uma nação, organizada, dotada de leis modernas para o tempo, conduzida às fronteiras do território que lhe estava reservado para sua pátria. Quando mais precisavam da liderança do homem que tanto bem lhes tinha feito, esse, que se tinha agigantado aos olhos deles, simplesmente sumiu. Faltou-lhes. Morreu...

Mas Alguém, que era o principal responsável por todos esses benefícios, continuava vivo, são e no comando. Então, falou, transferindo a responsabilidade a outro, tão capaz de continuar a obra. Diz a Bíblia: "E sucedeu, depois da morte de Moisés, servo do Senhor, que o Senhor falou a Josué, filho de Num, servo de Moisés, dizendo: Moisés, meu servo, é morto. Levanta-te, pois, agora, passa este Jordão, tu e todo este povo, à terra que eu dou aos filhos de Israel." Por outras palavras, "Moisés é morto, mas «EU SOU», estou vivo, podeis contar comigo".

Os líderes das nações vêm e vão, por isso se multiplicam. Mas Deus continua o mesmo, ontem, hoje e eternamente. Escritores, políticos, diplomatas, militares, gurus, filósofos, benfeitores, malfeitores, todos cairão nas mãos de Deus. Podem fazer jornadas longas de oitenta, noventa, cem anos, fazer, escrever e dizer livremente, mas o seu fim será o mesmo, porque "não há criatura alguma encoberta diante dEle; antes, todas as coisas estão nuas e patentes, aos olhos dAquele com quem temos de tratar."

Pois bem, não haja Deus, para que alguns se safem! Mas se houver Deus, todavia, será triste a situação daqueles que cairem "nas mãos do Deus vivo", que "é um fogo consumidor."

Por outro lado, também poderão preparar-se para esse dia, mudando de orientação e aprendendo a esperar "inteiramente na graça que se vos ofereceu na revelação de Jesus Cristo"... Neste caso, a sua bem-aventurança será desmedida!

domingo, 23 de agosto de 2009

D. A MENSAGEM NO NOVO TESTAMENTO

O Novo Testamento dá amplo testemunho da possibilidade de uma vida santa neste mundo, pelo que uma interpretação adequada há de começar com a compreensão do que é a santificação ou das classes de santificação a que se refere. O presente é um tratado um pouco breve que visa apenas colocar em perspectiva as questões, em vez de lutar em profundidade com tão importante tema de estudo.

1. Santificação Imputável (ou “posicional”)

A santificação imputável refere-se tanto a pessoas como a objectos ou coisas. A última ilustra-se com o texto seguinte “… a oferta, ou o altar que santifica a oferta…” (Mateus 23:19). A santificação, neste sentido, indica que as ofertas colocadas sobre o altar sagrado já não pertencem àquele que as apresenta, mas a Deus. É santificação por associação, uma justiça “imputada”. Este tipo de santificação pode ser o resultado de um simples contacto físico ou da proximidade.

O mesmo conceito se aplica às pessoas. Neste sentido, no Antigo Testamento, Aarão e seus filhos foram “santificados” para a obra do sacerdócio. Na actualidade, quando um leigo recebe as ordens de presbítero ou ministro do evangelho, recebe uma santidade imputada que antes não possuía. Dedica-se a uma vocação sagrada. Separa-se dos demais e entrega-se ao serviço exclusivo e total do Senhor. Devido a esta separação do secular e sua total dedicação ao serviço de Deus, em certo sentido, torna-se um homem santo profissionalmente. Talvez no intrínseco não seja mais santo do que antes e o seu carácter não se altere. Não se lhe confere nenhuma diferença moral por uma justiça “imputada”. Talvez neste sentido de entrega total a certa tarefa Jesus Cristo disse: “E por eles me santifico a mim mesmo, para que também eles sejam santificados na verdade.” E pelo menos neste sentido, o Senhor pediu em oração que os Seus discípulos fossem santificados na verdade (João 17:17-19; 10:36).

2. Santificação Inicial

Aqueles que estão em desacordo com o ponto de vista wesleyano da vida de santidade e sua possibilidade diferem particularmente no que se relaciona com a inteira santificação. A maioria dos eruditos bíblicos concorda que a santificação é ensinada no Novo Testamento como um privilégio ao alcance de cada crente, mas nem todos atribuem o mesmo significado ao termo. Quando o Apóstolo Paulo escreveu às igrejas de Roma e de Corinto, referiu-se a todos como a “santificados em Cristo Jesus, chamados santos” (1 Coríntios 1:2; Romanos 1:7). Esta é a que pode ser chamada santificação inicial, em que se reconhece que a separação do mundo e a entrega a Deus são requisitos prévios da conversão ao cristianismo.

Ao escrever sobre a conversão, Wiley refere-se à santidade “inicial”:

A corrupão acompanha os actos pecaminosos, e o mesmo faz a

culpa, que é a consciência do nosso próprio pecado. Portanto, deve

haver uma limpeza inicial concomitante com a primeira obra da graça,

se esta culpa e a depravação adquirida hão de ser removidas do

pecador.

3. Santificação progressiva

De outro ponto de vista, diz-se que a santificação no Novo Testamento é progressiva. Esta posição harmoniza com a justiça “comunicada”, a qual começa na conversão e continua toda a vida do cristão. Todos os cristãos são santificados no sentido de que se convertem em “participantes da natureza divina” (2 Pedro 1:4). Sua natureza está se “renovando” pelo Espírito Santo; é “regenerado” ou “nasce de novo”. Este é o uso que os escritores e oradores da tradição reformada aplicam normalmente ao termo santificação. É o lado positivo da justificação; refere-se à obra do Espírito Santo que efectua no crente a renovação positiva de sua natureza na semelhança da natureza de Deus. A anterior é referida, por exemplo, em versículos como os seguintes: Actos 20:32; 26:18; 1 Coríntios 6:11; Efésios 5:26; e Hebreus 10:14; 13:12.

domingo, 2 de agosto de 2009

DO ANTIGO PACTO AO NOVO

Nos tempos do Antigo Testamento o Espírito de Deus descia apenas sobre certos indivíduos em épocas de crise nacional. Os homens cheios do Espírito eram quase sempre os profetas. Alguns reis foram ungidos pelo Espírito, mas o termo “Espírito Santo” ocorre só três vezes em todo o Antigo Testamento (Salmo 51:11; Isaías 63:10-11). O Espírito representa o “sopro” de Deus (Génesis 2:7; Ezequiel 37:5; João 3:8). Ele é a Pessoa da Divindade que está em relação mais estreita com o homem. Esta verdade reflecte-se em Génesis no relato da criação, onde não só se diz que o “Espírito de Deus se movia sobre as águas”, mas também que “formou o homem do pó da terra, e soprou em seu nariz o fôlego de vida”. O termo hebraico que se traduz pelas palavras “espírito”, “alento” e “vento” é o mesmo: ruach.
O Espírito de Deus no Antigo Testamento não só inspirou os discursos sagrados, como no caso dos profetas, mas também aos dirigentes nacionais em épocas de crise. Descreve-se o Espírito de Deus como dador de vida à terra e ao seu povo (Isaías 44:3-4; Ezequiel 36:25-27). A promessa de melhores tempos regista-se em Joel, Ezequiel e em muitos outros livros. Neste caso, o distintivo do novo pacto, em contraste com o antigo, é a maior liberalidade com que Deus derrama Seu Espírito sobre o povo: homens e mulheres, servos e servas, escravos e livres (Joel 2:29). O novo pacto é mais democrático, inclui mais gente, acerca-se mais do objectivo da redenção bíblica, ou seja, Deus e o homem unidos na expiação. Até ao século VI A.C., século de crises transcendentais, ganhou proeminência a doutrina do Espírito de Deus.
Durante o período intertestamentário fez-se maior finca-pé acerca da transcendência de Deus e não tanto sobre a Sua imanência. Como resultado disso, realçou-se a revelação por meio de anjos e não tanto por meio do Espírito. De facto, cria-se que devido aos pecados do povo, a presença pessoal de Deus, a Shekina, havia sido levada do templo, da cidade e do povo (Ezequiel 10:4, 18; 11:23) ao “sétimo céu” onde permaneceria até aos dias do Messias.
A literatura da comunidade de Qumrán vizinha do Mar Morto constitui uma excepção interessante à negligência sobre a doutrina do Espírito. Particularmente nos seus hinos e no seu Manual de disciplina, o Espírito Santo é mencionado como purificador da mente e do coração. Não obstante, neste tipo de purificação não se faz distinção entre o ritual e o moral. O interessante, contudo, consiste em que a limpeza relaciona-se com o ministério do Espírito com tanta proeminência como no Antigo e no Novo Testamentos. Nos hinos da comunidade de Qumrán o finca-pé em o Espírito indica que os escritores eram, em certo sentido, místicos que acentuavam o contacto imediato entre Deus e o crente.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

A Santidade Cristã

2.Deus Chama a Viver em Santidade

A convicção de que Deus é santo tem como seu corolário a persuasão de que o povo de Deus deve ser como Ele em santidade. Posto que a separação é um dos ingredientes principais da doutrina de santidade na Bíblia, Deus chama o homem à separação. De que se deviam separar os israelitas? De outras nações, particularmente daquelas que os poderiam arrastar para o mal. Deviam conservar-se livres do pecado. Deviam separar-se unicamente para Deus, ser um povo peculiar, uma nação santa (Deuteronómio 7:1-10). Contudo, não se deviam separar só pelo acto de se separarem. A separação era somente o caminho para um fim: ser justos, ser como Deus. A separação não implicava ser peculiar no sentido de excentricidade. Em vez disso significava que, a fim de serem fiéis a Deus, deviam ser distintos, diferentes. A santidade não se pode conceber sem a separação. Esta classe de separação era dupla: do comum ou imundo e separados para Deus, para o serviço exclusivo dEle. Assim, os israelitas foram designados como povo único: um reino de sacerdotes, uma nação santa (Êxodo 19:6; Deuteronómio 7:6; 1 Pedro 2:9).

3. Perfeição em Justiça
Que significa ser “perfeito”? O termo não se pode passar por alto facilmente, pois, tanto no Antigo como no Novo Testamentos, usa-se com muita frequência. É muito importante para comunicar esta verdade, reconhecer que o conceito bíblico de “perfeito” não é equivalente ao que lhe é atribuído popularmente, ou seja, completo, sem falta alguma. Mas tão pouco se há de rebaixar para incluir desvios da norma ou do ideal. Significa, em vez disso, uma perfeição relativa, como a que foi reconhecida a Noé, Abraão e Job.
Como analogia, temos de nos lembrar que certos indivíduos na história foram chamados de “O Grande”, como Alexandre, o Grande, Herodes, o Grande e Pedro, o Grande, da Rússia. Tal distinção de “grande” não só lhes é atribuída para os distinguir de outras pessoas com o mesmo nome, como também para indicar que foram maiores que outros. De modo semelhante, certas personagens do Antigo Testamento mereceram o título de “perfeitos” ou “justos”. Sua perfeição era relativa. Eram “perfeitos” em comparação com seus contemporâneos. Destacaram por sua piedade, integridade e justiça. Foram, em certo sentido, como Deus, em relação à bondade. Assim, são homenageados com tal distinção Enoque, Noé, Abraão, Moisés, David e Job.
Ser perfeito queria dizer especificamente ser sem mancha (Deuteronómio 18:13); não sem falta, mas sem mancha. Portanto, a maioria das versões novas da Bíblia evitam o uso do termo “perfeito” ao aplicá-lo a pessoas e, em lugar dele, usam “sem mácula” (p. ex. Génesis 17:1, Versão Popular). A palavra original que se usa é a mesma que se aplica aos animais que eram adequados para serem apresentados a Deus (Êxodo 12:5), “sem defeito”. Estes animais não deviam estar mutilados ou estropiados; deviam estar fisicamente perfeitos, completos, sãos. De igual modo, a pessoa perfeita, no sentido do termo do Antigo Testamento, devia ser inquebrantavelmente fiel a Deus, estar totalmente entregue a Ele. Devia distinguir-se por sua justiça.
Qualquer leigo pode distinguir bem entre um cristão nominal, casual e um discípulo consagrado e fiel. Como em certa ocasião o expressara um guia muçulmano: “Há muçulmanos e, também, verdadeiros muçulmanos.” O mesmo se pode aplicar aos cristãos. Halford Luccock disse em certa ocasião: “Quando um crente demonstra que na realidade é cristão, todo o mundo se admira.” Nenhum dos hebreus antigos foi perfeito no sentido de que não tivesse tido faltas. Muitos, porém, o foram no sentido da integridade e fidelidade: uma perfeição em amor, do coração. Entre os melhores exemplos de tais homens que foram tanto grandes como bons estão José, Samuel e Daniel, dos quais não se regista na Bíblia nenhum acto pecaminoso ou atitude de pecado.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

The Light of the World

In the beginning was the Word, and the Word was with God, and the Word was God. The same was in the beginning with God. All things were made by him; and without him was not any thing made that was made. In him was life; and the life was the light of men. And the light shineth in darkness; and the darkness comprehended it not. … … That was the true Light, which lighteth every man that cometh into the world. He was in the world, and the world was made by him, and the world knew him not. He came unto his own, and his own received him not. But as many as received him, to them gave he power to become the sons of God, even to them that believe on his name: which were born, not of blood, nor of the will of the flesh, nor of the will of man, but of God. … … …
… …Therefore the Lord … … left Judea, and departed again into Galilee. And he must needs go through Samaria. Then cometh he to a city of Samaria, which is called Sychar, near to the parcel of ground that Jacob gave to his son Joseph. Now Jacob´s ell was there. Jesus therefore, being wearied with his journey, sat thus on the well: and it was about the sixth hour. There cometh a woman of Samaria to draw water: Jesus saith unto her, Give me to drink. (For his disciples were gone away unto the city to buy meat.)
Then saith the woman of Samaria unto him, How is it that thou, being a Jew, askest drink of me, which am a woman of Samaria? For the Jews have no dealings with the Samaritans. Jesus answered and said unto her, If thou knewest the gift of God, and who it is that said to thee, Give me to drink; thou wouldest have asked of him, and he would have given thee living water. The woman said unto him, Sir, thou hast nothing to draw with, and the well is deep: from whence then hast thou that living water? Art thou greater than our father Jacob, which gave us the well, and drank thereof himself, and his children, and his cattle? Jesus answered and said unto her, Whosoever drinketh of this water shall thirst again: But whosoever drinketh of the water that I shall give him shall never thirst; but the water that I shall give him shall be in him a well of water springing up into everlasting life. The woman saith unto him, Sir, give me this water, that I thirst not, neither come hither to draw.
Jesus saith unto her, Go, call thy husband, and come hither. The woman answered and said, I have no husband. Jesus said unto her, Thou hast well said, I have no husband: For thou hast had five husbands; and he whom thou now hast is not thy husband: in that sadist thou truly. The woman said unto him, Sir, I perceive that thou art a prophet. Our fathers worshiped in this mountain; and ye say, that in Jerusalem is the place where men ought to worship. Jesus said unto her, Woman, believe me, the hour cometh, when ye shall neither in this mountain, nor yet at Jerusalem, worship the Father. Ye worship ye know not what: we know what we worship: for salvation is of the Jews. But the hour cometh, and now is, when the true worshippers shall worship the Father in spirit and in truth: for the Father seeketh such to worship him. God is a Spirit: and they that worship him must worship him in spirit and in truth. The woman saith unto him, I know that Messias cometh, which is called Christ: when he is come, he will tell us all things. Jesus saith unto her, I that speak unto thee am he. And upon this came his disciples, and marveled that he talked with the woman: yet no man said, What sleekest thou? Or, Why talkest thou with her?
The woman then left her waterpot, and went her way into the city, and saith to the men, Come, see a man, which told me all things that ever I did: is not this the Christ? Then they went out of the city, and came unto him. In the mean while his disciples prayed him, saying, Master, eat. But he said unto them, I have meat to eat that ye know not of.
Therefore said the disciples one to another, Hath any man brought him ought to eat? Jesus saith unto them, My meat is to do the will of him that sent me, and to finish his work. Say not ye, There are yet four months, and then cometh harvest? Behold, I say unto you, Lift up your eyes, and look on the fields; for they are white already to harvest. And he that reapeth may rejoice together. And herein is that saying true, One soweth, and another reapeth.
I sent you to reap that whereon we bestowed no labour: other men labored, and ye are entered into their labours. And many of the Samaritans of that city believed on him for the saying of the woman, which testified, He told me all that ever I did. So when the Samaritans were come unto him, they besought him that he would tarry with them: and he abode there two days. And many more believed because of his own word; And said unto the woman, Now we believe, not because of thy saying: for we have heard him ourselves, and know that this is indeed the Christ, the Saviour of the world. Now after two days he departed thence, and went into Galilee.

quarta-feira, 15 de abril de 2009