quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

EDIFICAR SABIAMENTE

Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha; e desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha.
E aquele que ouve estas minhas palavras e as não cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia; e desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda.

(S. Mateus, capº 7, versos 24 a 27)

MundoVirtual

Entrei apressado e com muita fome no restaurante. Escolhi uma mesa bem afastada do movimento, porque queria aproveitar os poucos minutos que dispunha naquele dia, para comer e acertar alguns bugs de programação num sistema que estava a desenvolver, além de planear a minha viagem de férias, coisa que há tempos que não sei o que são.
Pedi um filete de salmão com alcaparras em manteiga, uma salada e um sumo de laranja, afinal de contas fome é fome, mas regime é regime não é?
Abri o meu portátil e apanhei um susto com aquela voz baixinha atrás de mim:
- Senhor, não tem umas moedinhas?
- Não tenho, menino.
- Só uma moedinha para comprar um pão.
- Está bem, eu compro um.
Para variar, a minha caixa de entrada está cheia de e-mail. Fico distraído a ver poesias, as formatações lindas, rindo com as piadas malucas.
Ah! Essa música leva-me até Londres e às boas lembranças de tempos áureos.
- Senhor, peça para colocar margarina e queijo.
Percebo nessa altura que o menino tinha ficado ali.
- Ok. Vou pedir, mas depois deixas-me trabalhar, estou muito ocupado, está bem?
Chega a minha refeição e com ela o meu mal-estar. Faço o pedido do menino, e o empregado pergunta-me se quero que mande o menino ir embora.
O peso na consciência, impedem-me de o dizer. Digo que está tudo bem. Deixe-o ficar. Que traga o pão e, mais uma refeição decente para ele. Então sentou-se à minha frente e perguntou:
- Senhor o que está fazer?
- Estou a ler uns e-mail.
- O que são e-mail?
- São mensagens electrónicas mandadas por pessoas via Internet (sabia que ele não ia entender nada, mas, a título de livrar-me de questionários desses):
- É como se fosse uma carta, só que via Internet.
- Senhor você tem Internet?
- Tenho sim, essencial no mundo de hoje.
- O que é Internet ?
- É um local no computador, onde podemos ver e ouvir muitas coisas, notícias, músicas, conhecer pessoas, ler, escrever, sonhar, trabalhar, aprender. Tem de tudo no mundo virtual.
- E o que é virtual?
Resolvo dar uma explicação simplificada, sabendo com certeza que ele pouco vai entender e deixar-me-ia almoçar, sem culpas.
- Virtual é um local que imaginamos, algo que não podemos tocar, apanhar, pegar... é lá que criamos um monte de coisas que gostaríamos de fazer. Criamos as nossas fantasias, transformamos o mundo em quase como queríamos que fosse.
- Que bom isso. Gostei!
- Menino, entendeste o significado da palavra virtual?
- Sim, também vivo neste mundo virtual.
- Tens computador?! - Exclamo eu!!!
- Não, mas o meu mundo também é vivido dessa maneira...Virtual. A minha mãe fica todo dia fora, chega muito tarde, quase não a vejo, enquanto eu fico a cuidar do meu irmão pequeno que vive a chorar de fome e eu dou-lhe água para ele pensar que é sopa, a minha irmã mais velha sai todo dia também, diz que vai vender o corpo, mas não entendo, porque ela volta sempre com o corpo, o meu pai está na cadeia há muito tempo, mas imagino sempre a nossa família toda junta em casa, muita comida, muitos
brinquedos de natal e eu a estudar na escola para vir a ser um médico um dia. Isto é virtual não é senhor???
Fechei o portátil, mas não fui a tempo de impedir que as lágrimas caíssem sobre o teclado. Esperei que o menino acabasse de literalmente 'devorar' o prato dele, paguei, e dei-lhe o troco, que me retribuiu com um dos mais belos e sinceros sorrisos que já recebi na vida e com um
'Brigado senhor, você é muito simpático!'.
Ali, naquele instante, tive a maior prova do virtualismo insensato em que vivemos todos os dias, enquanto a realidade cruel nos rodeia de verdade e fazemos de conta que não percebemos!
Agora, tem duas escolhas...
1. Enviar esta mensagem aos amigos e amigas ou
2. Apagá-la, fingindo que não foste tocado por ela!!!
Como podes ver, escolhi a nº1.

(Esta mensagem foi recebida de um amigo com a sugestão encontrada na sua parte final. Analise, comente e divulgue).

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Uma Mensagem do Apóstolo Pedro

Bendito seja o Deus e Pai do nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a Sua grande misericórdia, nos gerou de novo, para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo de entre os mortos. Para uma herança incorruptível, incontaminável, e que se não pode murchar, guardada nos céus para vós, que mediante a fé, estais guardados, na virtude de Deus, para a salvação, já prestes para se revelar no último tempo. Em que vós grandemente vos alegrais, ainda que agora importa, sendo necessário, que estejais, por um pouco, contristados com várias tentações, para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro, que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória, na revelação de Jesus Cristo; ao qual, não O havendo visto amais; no qual, não O vendo agora, mas crendo, vos alegrais, com gozo inefável e glorioso; alcançando o fim da vossa fé, a salvação das almas… … …
Portanto, cingindo os lombos do vosso entendimento, sede sóbrios, e esperai inteiramente na graça que se vos ofereceu na revelação de Jesus Cristo, como filhos obedientes, não vos conformando com as concupiscências que antes havia na vossa ignorância; mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós, também, santos, em toda a vossa maneira de viver; porquanto está escrito: sede santos, porque eu sou santo.
E, se invocais por Pai aquele que, sem parcialidade, julga segundo a obra de cada um, andai em temor, durante o tempo da vossa peregrinação, sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver, que por tradição recebestes dos vossos pais, mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado, o qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos por amor de vós; e por Ele credes em Deus, que O ressuscitou dos mortos, e lhe deu glória, para que a vossa fé e esperança estivessem em Deus.
Purificando as vossas almas na obediência à verdade, para amor fraternal, não fingido, amai-vos ardentemente uns aos outros, com um coração puro, sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva e que permanece para sempre.
Porque toda a carne é como a erva, e toda a glória do homem como a flor da erva. Secou-se a erva, e caiu a sua flor; mas a palavra do Senhor permanece para sempre; e esta é a palavra que entre vós foi evangelizada.
(1ª. Epístola, capº. 1, versos 3-9, 13-25).

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

CALHETA DO VELHO
Estava lá, desde o princípio. Via-o todos os dias, mas não dava conta da sua existência. Era daquelas coisas que tropeçam nos nossos pés, mas ignoramo-las; de tão familiares, não as vemos e passam despercebidas. No entanto, estava lá. Todos os dias cumpria, com profissionalismo, a sua missão. Fazia a sua luz chegar até onde era necessária, para levar a mensagem, aos navegantes, de que terra firme se aproximava.
Embora escassos os quilómetros, não era caminho fácil. O encarregado não se aborrecia, contudo, da rotina diária que o obrigava a velejar até à praia do ilhéu, para depois palmilhar a vereda sinuosa que ia dar à vizinhança da calheta. Não sei porque lhe chamavam assim. Mas era esse o nome por que se dava a conhecer: Calheta do Velho. Um pequeno porto na costa sul, mais para lá, do ilhéu fusiforme, estreito e comprido, que mais se assemelha a um jacaré adormecido no meio da ampla baía. Calheta do Velho deu também nome ao farol que, desde tempos que de todo ignoro, estava lá instalado.
O Farol da Calheta do Velho estava lá, todos os dias, na minha frente; eu o via mas não dava conta da sua realidade. Até que um dia, muito tempo depois, já adulto, fui até lá. Entrei pela porta sem fechadura, de uma ampla sala vazia, salvo erro, de chão de terra batida. Havia vidros partidos nas janelas. Os rebocos já não eram frescos nas paredes. Não havia quadros murais, nem secretárias, nem arquivadores, nem utentes. Que mais vi? Não sei dizer...
Saí pela porta contrária. Subi os degraus da escada de pedra pela qual, diariamente, o senhor faroleiro ia e vinha para cumprir o ritual de acrescentar petróleo e acender o queimador instalado na torre, não se desse o caso de faltar aviso à navegação. O misterioso farol que desde criança eu via, todas manhãs, da janela da minha casa, no horizonte que se estendia à frente de nós, com a silhueta de um bule de chá, deixou de ser para mim uma realidade ignorada.
Folhei a história do Calheta do Velho. Toda ela entrelaçada com décadas sem conta da vida de uma população toda, de que eu fazia parte, gente que entrava e saía sob a guarda do Calheta do Velho. Era a sentinela que respondia pela segurança da terra. Lembro-me das minhas muitas idas e vindas a que me vira obrigado, nos idos anos da adolescência e juventude, na pele de estudante migrante. Santa Margarida primeiro, Maria Teresa (quantas vezes!), Sal Rei, Arlette, Neptuno, Mira Terra, Frigorífica V e outros e outros, levaram-me e trouxeram-me de volta, com sucesso devido à fidelidade do "Calheta do Velho". Eu tinha-lhe grande dívida, mas faltava-me a consciência disso! É por isso que, na minha única visita ao Calheta do Velho, não me ocorreu, sequer, deixar gravado meu nome nas suas paredes, ou nas rochas à volta, em sinal de homenagem. Quando te vir de novo, Calheta do Velho, espero saldar a dívida!
Veio-me, agora, à mente este nome de recurso para uma página que pretende estar presente, aqui, ser um farol. Acender todos os dias uma luz, brilhar, levar e trazer navegantes em segurança... fazer-se familiar a muitos, sem se deixar ignorar... Neste particular, demarque-se do Calheta do Velho. Em tudo o mais, seja o meu saudoso
Farol da Calheta do Velho.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

De Cá Até Aí

Tenho pensado que a nossa condição humana é, por vezes, digna de dó. Somos um ser basicamente sociável. Não importa se a nossa origem é o norte ou o sul, o leste ou o oeste... o terceiro ou o primeiro mundo... Aonde quer que vamos, criamos o nosso habitat social. Chegamos como estranhos, partimos, mais tarde, deixando um vazio no espírito dos que ficam, levando na alma feridas que resistem ao efeito de bálsamos e confortadores. Como o ramo cortado à árvore "sangra", à partida sofremos pungente dilaceração.
Porque a vida é feita de chegadas e partidas, vão-se-nos acumulando sentimentos contraditórios de aquisição e perda, desejos que se desgastam reciprocamente, o "como é bom estar cá" e desejar estar aí também. Pensamentos cruzam o espaço e, quais ondas de rádio, tornam-se passíveis de levar cavalgada a saudade de cá até aí onde está você, amigo, que nunca mais foi abraçado e também nunca será removido do inventário.
E, se voltasse atrás, à procura da jóia perdida, a mesma triste sina não se arredaria do caminho!
Restará alguma esperança confortadora? Talvez sim. Dar asas à imaginação. Curtir e deixar-se curtir pela saudade. Alongar os braços e atirá-los no vazio ao encontro do invisível, mas real, objecto da afeição, mandar saudades daqui até lá e esperar pelo tempo em que não haverá mais tempo e espaço, nem separação, mas reencontro para não haver mais vazio de alma e desencontros de sentimentos.