domingo, 22 de março de 2009






SAUDADE





sábado, 21 de março de 2009

Adeus, querida tia, que grande saudade!

Hoje, mais uma página importante da minha história virou. Quando caminhamos para o décimo aniversário da partida do meu pai inolvidável, parte também a minha saudosa tia Melânia Silva Lima, Maninha para muitos amigos. A última sobrevivente da geração directa dos meus inesquecíveis avós João Tobo e Djodja de Maninha… Sinto como se fosse uma grande falta minha o não estar entre a nossa gente para deixar o meu coração palpitar, juntamente com os meus queridos primos, ao ritmo do pranto que, sei, muitos irão levantar, nesta hora de separação. Falta, aliás, cometida também na partida dos outros tios.

A terra ficou depauperada! Eu também fiquei mais pobre. Quando voltar à minha querida terra, ela lá não vai estar para me receber com a emoção doutrora, na visita que lhe fazia com alegria e felicidade.

A Vila agora cosmopolita perde referências de um passado que deixa uma nostalgia imensa, o grande passado de uma convivência sã, modesta e extraordinariamente feliz.

Mulher singela, corajosa, era dotada de um coração grande que cabia a todos. Isto é tão evidente no facto de que o seu nome mais generalizado era “Mãezinha”. Mãezinha de filhos, mãezinha de sobrinhos, mãezinha de vizinhos, mãezinha de amigos, mãezinha de estranhos; no seu lar era Mãezinha de todos... Por isto deixa filhos e netos de seu sangue, como de alheio, mas tão afectuosos quanto os consanguíneos.

No seu coração fervilhava um amor precioso. O amor de Jesus... Em boa hora, ela apreendeu o sentido desse amor e passou a comungar da fé que haveria de mudar sua vida. Dedicada à comunhão na família da fé, estava sempre presente para aprender e ensinar, talvez não tanto com preceitos, mas com exemplos, receber e dar, pôr a mão como pudesse e ajudar a levar avante o testemunho. Imagino rostos marejados de lágrimas de amigos/irmãos grangeados ao longo de anos e décadas de sã convivência na Igreja do Nazareno em Sal Rei.

E, na impossibilidade de estar presente, para sentir como vocês todos estão sentido, vai daqui para vós, da minha parte e da dos meus queridos, esta palavra de encorajamento e de estímulo à consolação e perseverança, pois a nossa esperança, em Cristo, é de um reencontro, no dia que o Senhor tem determinado.

Uma saudade muito grande aos meus dilectos primos e a todos os meus queridos na fé!

SAUDADE





domingo, 15 de março de 2009

B. RAÍZES DA MENSAGEM NO
ANTIGO TESTAMENTO

Quem se proponha a estudar a doutrina bíblica da santidade no Antigo Testamento seguramente ver-se-á frustrado ocasionalmente. A maioria dos estudos sobre o tema deixam muito a desejar quanto à exegese. Muitos exponentes são piedosos, evangélicos e santos na doutrina, mas não possuem as ferramentas técnicas necessárias para a exegese bíblica, especialmente no que se refere a idiomas semíticos. Como resultado, muitas obras que bem poderiam servir como base doutrinal e material persuasivo, são débeis e até erróneas em sua exegése.
Por outro lado, os livros que tratam o tema da santidade no Antigo Testamento baseados em exegése, na sua maioria, carecem de solidez teológica. No geral, os seus autores são críticos ou eruditos liberais que não têm completa e total confiança na integridade e fidelidade das Escrituras. Muitos eruditos se têm deixado influenciar por pressuposições teológicas que os tornam indiferentes aos conceitos espirituais dos autores bíblicos.

1. A Santidade de Deus
A convicção de que Deus é santo e justo é uma das características mais distintivas do Antigo Testamento. Uma breve vista a uma concordância da Bíblia revela que nenhuma outra doutrina é tão importante como a santidade de Deus. Exemplo disso o oferecem as palavras santidade e santificação, as quais são usadas mais de 800 vezes.
Quais são as características distintivas da doutrina da santidade de Deus no Antigo Testamento? O estudante cuidadoso descobrirá prontamente que a santidade não é só um dos diferentes atributos de Deus, mas parte de sua natureza essencial. A santidade é a natureza essencial do Ser divino, da qual emanam os atributos de amor, justiça e misericórdia. Portanto, ninguém pode interessar-se por longo tempo no pensamento bíblico sem confrontar o desafio da santidade.
Tal reconhecimento constitui um apropriado remédio para a idéia contemporânea popular de que, se Deus ainda vive, está muito bem humanizado. Algumas pessoas concebem Deus como um ser mágico e bondoso de quem dispõem à vontade para as ajudar em suas tarefas ou para cumprir os seus desejos. Outros consideram Deus como um ser remoto, distante, demasiado afastado para responder às petições dos miseráveis e finitos seres humanos. Deformam o conceito de intercessão, crendo que a oração só muda o solicitante, não os resultados. Outros ainda, como os auto-nomeados conselheiros de Job, consideram a santidade de Deus tão austera e distante que se torna impossível a santidade no homem e, por isso, qualquer aspiração à mesma resulta presunçosa.
A santidade de Deus não só inclui esplendor e separação, como também justiça. É difícil para nós, depois de tantos séculos de tradição judaico-cristã, pensar em um Deus injusto. Não obstante, na história, inclusive os deuses dos pagãos mais avançados ou civilizados eram em geral seres amorais; a justiça não se relacionava com tais deuses. Este pensamento realça pelo contraste a insistência hebraica de que o Deus a quem eles adoravam é completamente justo. A Sua justiça manifesta-se na história do povo que, quando pecava, era rejeitado e disciplinado. Nem sequer a arca nem o lugar santíssimo escapavam quando o povo punha de lado a justiça. A Bíblia ensina que a santidade é mais importante que a sobrevivência; paradoxalmente, “o sistema” tinha que ser destruido no exílio a fim de salvá-lo por meio do remanescente.
Deus se revela a Si mesmo, não só em palavras, como também por feitos. As suas declarações foram muito claras: “Santos sereis, porque eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo” (Levítico 19:2). De igual modo, os seus actos também foram claros, como quando abandonou o seu povo no deserto por causa do pecado, convidando-o a O buscar fora do acampamento (Êxodo 32 – 34). A Jerusalém foi esclarecido que, ainda que era chamada a cidade santa, encontrava-se pecado nela, Deus repudiaria o templo, a cidade e seus habitantes aos quais traria a juizo (Isaías 4; Jeremias 7). A histórica Jerusalém foi destruída no ano 587-586 A.C. a fim de salvar a cidade santa.
A revelação da santidade de Deus faz uma clara exposição da pecaminosidade do homem. Só depois que Isaías viu “ao Senhor … alto e sublime” e ouviu que os serafins diziam: “Santo, santo, santo” (Isaías 6:1-4), reconheceu sua corrupção interna. O homem descrito em Romanos 7 reconheceu o seu estado pecaminoso só depois que se confrontou com a justiça da lei. Assim é que a santidade revela o que lhe é oposto: o pecado. Com frequência se diz, de modo geral, que no Antigo Testamento o pecado se refere mais à culpa colectiva e se limita a actos visíveis. Não obstante, há muita evidência de que também se refere à perversidade do coração. A afirmação anterior é demonstrada em Génesis, na passagem que relata o pesar de Deus por causa da “maldade dos homens”, que prevalecia na humanidade (6:16). Tal ideia se expressa com maior realce nos escritos proféticos, particularmente nos de Jeremias, que foi impressionado e oprimido pela perversidade crónica do homem, sua contínua tendência para o mal (Jeremias 3:23, 17, 21). Um estudo consciencioso dos termos “dureza de coração”, “maldade”, “perversidade” e outros sinónimos revelará uma fase muito importante da Teologia do Antigo Testamento; neste se reconhece que uma fonte de pecado produz os actos pecaminosos. O problema principal do homem, “um coração de pedra”, soluciona-se unicamente com a implantação de um “novo” coração (Ezequiel 36:25-27).

domingo, 8 de março de 2009

Uma perspectiva da vida

Nunca podemos perder de vista o facto de que esta vida é uma jornada espiritual ... Talvez seja útil entendermos o seguinte conceito sobre a vida: Não somos seres humanos que estão tendo uma experiência espiritual temporária; somos seres espirituais que estão tendo uma experiência humana temporária!

( Dr. Victor L. Torres, Jr.)

domingo, 22 de fevereiro de 2009

A SANTIDADE CRISTÃ

na Bíblia, na História e na Prática
por George Allen Turner
Prefácio
A nossa era, em comparação com todas as anteriores, é menos tranquila, menos passiva. Não obstante, também se caracteriza pela introspecção, a busca de respostas. Muitos andam em busca de novo significado e valores. As Sagradas Escrituras todavia são-nos o guia mais seguro para a verdade e a realidade no que diz respeito a tais valores espirituais. A actualidade destas verdades bíblicas nunca antes foi tão óbvia e tão necessária como é hoje.
Estes ensaios sobre a doutrina da santidade bíblica, especialmente como a sustenta a tradição wesleyana, foram apresentados em diversas instituições. Neste livro são apresentados, essencialmente, como foram desenvolvidos em forma oral. A audiência constituíu-se quase sempre de estudantes universitários, estudantes graduados de cursos teológicos, e clérigos. Não obstante, os ensaios são apresentados em um estilo popular, sem muitos termos técnicos nem documentação. Estas mensagens não têm o propósito de reavaliar ou reextruturar as doutrinas bíblicas nem o pensamento wesleyano. Ao contrário, com elas só se deseja aclarar, explicar, as doutrinas básicas e fazer notar sua actualidade na segunda metade do século XX.
Sinto-me profundamente agradecido ao reitor e à faculdade do Serminário Teológico Nazareno, pelo convite que me fizeram para apresentar as conferências Gould sobre teologia bíblica. Bem assim, pelos convites semelhantes da Universidade Cristã Osaka, do Japão; da Universidade Teológica Holy Light, de Taiwan; dos seminários União Bíblica da Índia e Colômbia; do Instituto Bíblico do Sul da India; da faculdade do Instituto Metodista Livre de São Paulo, Brasil; e da Universidade Nazarena Trevecca, de Nashville, Tennessee.
Publicamos este livro pelo desejo de que um maior número de pessoas conheçam estas mensagens. Agradece-se , em tudo o que vale, aos editores o tornarem possível esta publicação. Espera-se que a palavra impressa seja tão bem recebida como o foi a apresentada oralmente. A chamada à vida de santidade não é só o maior dos privilégios, mas também um desafio que não se pode tomar de ânimo leve.
- George Allen Turner

Capítulo 1
A Mensagem de Santidade na Bíblia
A busca de uma vida de semelhança com Cristo, sobre a qual se faz muito finca-pé no Novo Testamento e só ocasionalmente em séculos subsequentes, particularmente sob o ministério de João e Carlos Wesley, é uma força em contínuo movimento. Contam-se por milhões os que crêem na necessidade da vida de santidade, alguns dos quais pertencem a igrejas de santidade, e outros a igrejas "populares". Neste estudo nos ocuparemos da mensagem wesleyana só no grau em que representa o que se relaciona com a revelação de Deus ao homem e só no grau em que representa o ensino do Novo Testamento.
A. Elementos Essenciais da Mensagem
Quais são os elementos essenciais desta mensagem neotestamentária de acordo com a interpretação de Wesley e de outros? Nestes estão incluídos:
1. A certeza do perdão dos pecados. Eis aqui o significativo da experiência de João Wesley em Aldersgate. Nesse lugar, pela primeira vez, obteve a certeza do perdão de seus pecados, de que Cristo era seu Salvador pessoal. Ainda que se havia distinguido como homem de profunda piedade e rectidão pessoal por muitos anos, nessa ocasião, segundo ele, pela primeira vez experimentou a certeza de sua relação com o Senhor.
2. O companheirismo dos “nascidos de novo”. A instituição que testificou da importância do companheirismo dos crentes foram as reuniões ou “classes” metodistas originais. Seguindo o modelo de companheirismo dos crentes de Herrnhut, Alemanha, os primeiros metodistas reuniam-se em grupos de 12 pessoas sob um dirigente para descobrir suas almas perante eles mesmos e diante de Deus. Este companheirismo constituíu o núcleo do povo chamado os metodistas.
3. O uso dos meios da graça. Wesley compartilhou o ponto de vista sobre este tema com muitas outras pessoas cuja experiência cristã reconheceu e de cujo companheirismo desfrutou. Wesley e seus seguidores insistiam em que os meios da graça não eram “obras da carne”, mas canais pelos quais a graça de Deus opera normalmente. Assim evitaram o que consideravam como a armadilha da anarquia ou antinomianismo, o engano de que a fé sem obras é suficiente.
4. O testemunho. Fez-se fincapé acerca do testemunho como nunca havia sido feito desde o primeiro século da era cristã. Os evangélicos do século XVIII testificaram nas casas, nas ruas, nas tendas, em toda a parte. Por isso Wesley disse: “O mundo é minha paróquia”.
5. A busca da santidade. Este foi o interesse primordial de Wesley, desde a idade de 25 até aos 38 anos, quando descobriu o caminho da fé; desde então converteu-se na principal testemunha e exponente da doutrina.
6. O amar a Deus sobre tudo. Que implica a santidade? Quando foi chamado a comparecer diante do bispo anglicano de Londres para fazer a defesa das suas “heresias”, Wesley declarou que ensinava principalmente o amor a Deus com todo o coração, alma e forças e o amar ao próximo como a si mesmo. Este ensinamento, concluíu Wesley correctamente, é aceitável a todos os homens. Quem pode objectar ao amor? Quiçá o hino que melhor descreve o génio do avivamento metodista seja o seguinte, o qual é incluído em quase todos os hinários evangélicos e é considerado um dos dez maiores hinos de todos os tempos.
Só sublime, amor divino,
Gozo, vem do céu a nós;
Firma em nós o teu lar humilde,
De fé dá-nos rico dom.
- Carlos Wesley

Lutero considerava Deus principalmente como juiz; Calvino, como governador; porém Wesley foi impressionado mais pelo amor de Deus. 2 Não foi presa de um sentimentalismo extremo graças ao seu alto conceito da santidade de Deus. Segundo Wesley, quem professava amar a Deus devia, ao mesmo tempo, viver rectamente. Com frequência afirmava que a santidade significa “possuir a mente de Cristo e andar como Ele andou”. Esta é a vida centrada em Cristo.

7. A vida de santidade como pureza doutrinal. Ainda que originalmente não se organizaram como um grupo teológico, os primeiros dirigentes metodistas preocupavam-se com a sã doutrina. Em ocasiões, os Wesleys tiveram que defender a fé, o que fizeram com admirável êxito. Uma das melhores evidências da capacidade apologética de Wesley encontra-se no seu discurso sobre “O pecado original”, dirigido a um influente contemporâneo seu que apoiava a posição de Pelágio.3

8. O serviço social era outro elemento da definição wesleyana da vida de santidade. Os membros do “Clube Santo” de Oxford, muito tempo antes de Aldersgate, preocuparam-se não só com assistir à igreja mas também com visitar cárceres, pregar nas ruas e ajudar aos pobres. Outra evidência de sua preocupação com o serviço social manifestou-se na organização das “reuniões de classes”, cujo dirigente tinha a responsabilidade de reunir oferendas para serem distribuídas entre os pobres.
Em uma de suas primeiras declarações de propósito, os metodistas expressaram que sua tarefa consistia em “reformar a nação e pregar a santidade em qualquer parte”. Não se recluíam nem se isolavam do mundo em busca de uma vida melhor; antes pelo contrário, eram práticos. Em certo sentido eram místicos, pois preocupavam-se primordialmente em agradar a Deus, porém, reconheciam que sua chamada também incluía o testemunhar por palavra e obra aos seus contemporâneos. Depois de dois séculos de história,torna-se óbvio que os primeiros metodistas “não andavam pelos ramos”, mas além de resgatar almas ao fogo, queriam também apagá-lo.4 Eles interessavam-se tanto na raiz dos males como nos frutos.